Haicaipiras,
haicais tipo Pellegrini
e também zaicais, haicais
sobre a natureza humana
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Caminhando com Branquinha, uma coruja sempre grita agudamente trepada num poste e, depois, dá rasante a lançar mais gritos, chegou até a agarrar o lombo da cachorra – que, esperta como só, agora passa rapidinho por ali. A coruja continua a lançar seus gritos estridentes, como a dizer que ali tem quem cuida dos filhotes, ninguém se atreva a procurar seu ninho no gramado, ela avançará se for preciso, fique gritantemente bem entendido.sábado, 11 de agosto de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Mais uma foto de poente, dirá você, será que esse cara não consegue coisa melhor? Não, não consigo nada melhor que, na tardinha, olhar o sol, em paz comigo depois dos trabalhos do dia, sem nada a dever ao hoje ou ao ontem, nada a esperar do amanhã, apenas o momento, meu pedacinho da Eternidade.
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Às vezes me vem o haicai, depois Dalva faz a foto, às vezes ela faz foto que traz haicai, como neste caso. Sem planejar fomos criando essa parceria. Este haicai, como geralmente são os haicaipiras, é tecido de intrincada sonoridade (árvore/pássaro, seca/sem/seiva, sem/porém, além das repetições – aliterâncias, diria o teórico – de “v” e “e”). Esse tecido sonoro deve estar porém a serviço de uma ideia que, com a foto, torna-se também visual. É a fenomenologia verbivocovisual, como diziam os concretistas? Não, é graça caipira mesmo...
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Aproveito esta foto de Dalva para falar do horizonte que aí aparece espremido entre a terra e a grande nuvem. Horizonte sempre foi símbolo de além, de meta a alcançar – e, apesar de parecer parado, é dinâmico, pois só fica parado para quem não caminha em sua direção. Símbolo, assim, tanto de contemplação quanto de ação.
domingo, 29 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Geralmente a gente passa pelos patos olhando sem ver, pois parecem patamente iguais e sempre para lá e para cá na sua vida de patos. Mas, indo muito à lagoa, notei que a mesma pata, que nadava na frente deles quando pequenininhos, agora deixa que nadem na frente dela já crescidinhos. Sem super-proteção, parece dizer orgulhosa e em paz com seu dever de mãe: cuidou zelosa, protegeu aguerrida, agora cada um cuide da própria vida...
quinta-feira, 26 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
O nascente parece durar menos que o poente, pela simples razão de que o ator principal tem pressa de entrar em cena, enquanto no poente ele demora para sair como quem espera aplausos. Assim, no poente sempre pego a peça desde o começo, e no nascente quase sempre depois de começada. Mas, como o teatro é bom, volto sempre.
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
O nascente parece durar menos que o poente, pela simples razão de que o ator principal tem pressa de entrar em cena, enquanto no poente ele demora para sair como quem espera aplausos. Assim, no poente sempre pego a peça desde o começo, e no nascente quase sempre depois de começada. Mas, como o teatro é bom, volto sempre.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Acho que contagiei Dalva com minha paixão por poentes, ela tem ficado de olho com celular na mão. Contei a ela a historinha do samurai que só olhava nascentes porque os poentes seriam apenas festa melancólica do dia que morreu, e seu mestre então perguntou: - Mas os nascentes não nascem para também morrer? Assim, olho mais poentes apenas porque geralmente ainda estou dormindo nos nascentes, e uns e outros olho como quem sabe que todos trabalham para o mesmo teatro com apenas duas peças por dia, mas sempre diferentes a cada dia.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Capinzal circunda parte da lagoa, nutrido pelo brejo onde nasce a mina que sustenta a lagoa e o brejo. Nunca dei atenção ao brejo, até ver o capinzal brilhando ao sol. E vi caçando ali garças que depois vão pousar nas árvores da mata logo adiante. Aí percebi realmente o que teoricamente já sabia, que na natureza tudo é interdependente.
Haicaipira
Capinzal circunda parte da lagoa, nutrido pelo brejo onde nasce a mina que sustenta a lagoa e o brejo. Nunca dei atenção ao brejo, até ver o capinzal brilhando ao sol. E vi caçando ali garças que depois vão pousar nas árvores da mata logo adiante. Aí percebi realmente o que teoricamente já sabia, que na natureza tudo é interdependente.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Tem dia ideal pra tudo, pois tempestade não é ótima para vendedores de guarda-chuva? Dias de outono e inverno, com seu céu azul o tempo todo, são ótimos para colheitas e plantios, mas muita gente sofre com a secura do ar. E quem gosta de poentes bonitos tem apenas sol sem nuvens no horizonte, belos dias com poentes michos. Cada vez mais concordo com Einstein, tudo é relativo.
Haicaipira
Tem dia ideal pra tudo, pois tempestade não é ótima para vendedores de guarda-chuva? Dias de outono e inverno, com seu céu azul o tempo todo, são ótimos para colheitas e plantios, mas muita gente sofre com a secura do ar. E quem gosta de poentes bonitos tem apenas sol sem nuvens no horizonte, belos dias com poentes michos. Cada vez mais concordo com Einstein, tudo é relativo.
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Local:Londrina PR BRA
Londrina, PR, Brasil
segunda-feira, 16 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte
Tenho encontrado na lagoa muitos momentos bons, vendo como cada dia passa e, se a gente não olha o céu, apenas passa como mais um dia. Se a gente olha, é um dia sempre diferente...
sábado, 14 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Nossa goiabeira é novinha mas já tem história. Não existia quando compramos o terreno para a nova casa aqui na Estância Santa Paula. Demoramos alguns meses para começar a construção, e eis que ela brotou, decerto plantada por passarinhos (plantio que já vem com adubo orgânico...). Resistiu à terraplenagem, graças a estacas protetoras, e pelo jeito ainda receberá nossos netos em seus galhos.
quinta-feira, 12 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Pois o astronauta, flutuando no Espaço e ligado à nave-mãe por um cordão, não lembra o feto e seu cordão umbilical?
sábado, 7 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Antes dos sessenta
eu comia frutas
agora degusto
cada uma
eu comia frutas
agora degusto
cada uma
Antes eu olhava
procurando enxergar
(o futuro, o profundo)
agora apenas vejo
como é o mundo
procurando enxergar
(o futuro, o profundo)
agora apenas vejo
como é o mundo
Cada cheiro é novo
mesmo repetido
e lavo louça rindo
(só o instante
pode ser lindo)
mesmo repetido
e lavo louça rindo
(só o instante
pode ser lindo)
quarta-feira, 4 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Lógico que não é o tempo, é o vento que brinca com as nuvens, que, sem parecer que mudam, mudam sem parar. Mas o olhar da poesia não procura a lógica mas a mágica. O mundo, visto logicamente, é muito sem graça...
domingo, 1 de julho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Há muito discutem os cientistas se os bichos tem ou não consciência. Se não, então só nós temos esse privilégio ou tormento. Se entretanto eles tem noção da existência, devíamos aprender mais com eles, pelo menos paz e paciência, não?
sexta-feira, 29 de junho de 2018
CASA DO HAICAI
Passeamos quase toda noitinha, despedida do sol, chegada das estrelas. Como agora moramos em condomínio com outros cachorros atrás de suas cercas, Branquinha nos acompanha sem coleira, focinho fuçante, rabinho feliz. Dalva e eu vamos vendo nuvens belamente sangrentas ou exuberantemente roxas. Depois de ganhar o dia, nada como gastar a noitinha.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
CASA DO HAICAI
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Haicaipira
As flores na beira do lago fazem pensar na loteria cósmica do nascimento. Convivi com gente que procura esquecer seu lugar de origem, e também com gente que lembra com gosto e orgulho sua terrinha natal. Quem procura esquecer, parece que resseca em amargura insanável. Quem não esquece, floresce em lembranças e gratidão. Caminhando para os setenta, cada vez mais me sinto tão cidadão do mundo quanto pé-vermelho, como a flor aí, se abrindo para o céu mas com raízes bem embebidas na terra.
sábado, 23 de junho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Grilo se calou de susto, de medo, de ciúme do assobio do vento? Quem sabe por se achar merecedor de silêncio, como maestro dos pássaros. Aliás, porque também eles pararam de cantar? Então ouve-se o trovão, que chispou lá no horizonte e eles parece que ouviram antes do som chegar aqui. O que dirá disso a física quântica?
#HAICAI
quarta-feira, 20 de junho de 2018
CASA DO HAICAI
CASA DO HAICAI
Haicaipira
Três gansos, três versos. Nos dois primeiros, três palavras. No terceiro, duas palavras, deixando a deduzir que eram dois os gansinhos.
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