“O capim-vassourinha tem esse nome porque,
claro, parece vassoura
e dele fazem vassouras.
Mas quem varre a colina é o vento.
O capim-vassourinha apenas se agita
lançando sementes e, assim,
cobriu toda a colina...”
O capim-vassourinha tem esse nome porque,
claro, parece vassoura
e dele fazem vassouras.
Mas quem varre a colina é o vento.
O capim-vassourinha apenas se agita
lançando sementes e, assim,
cobriu toda a colina...
Ah, disse o amigo, escolher feijão é bobagem,
caruncho é vitamina e ninguém vai perceber.
Só lavou os feijões e jogou no caldeirão,
fez a feijoada todo feliz.
Depois quebrou um dente, talvez na única
pedrinha lá no meio dos feijões...
Olhar estrelas, Bilac, nem é tão bom
quanto olhar nuvens.
Foram meu primeiro cinema,
na maior das telas,
e o diretor era o vento.
E nuvens são atrizes tão grandes
quanto mutantes: sem parecer
que mudam, mudam sem parar.
Ah, disse o amigo, escolher feijão é bobagem,
caruncho é vitamina e ninguém vai perceber.
Só lavou os feijões e jogou no caldeirão,
fez a feijoada todo feliz.
Depois quebrou um dente, talvez na única
pedrinha lá no meio dos feijões...
Olhar estrelas, Bilac, nem é tão bom
quanto olhar nuvens.
Foram meu primeiro cinema,
na maior das telas,
e o diretor era o vento.
E nuvens são atrizes tão grandes
quanto mutantes: sem parecer
que mudam, mudam sem parar.
Na verdade, cigarra não canta, serra.
O macho, para atrair a fêmea, esfrega
a pata serrilhada na carapaça, estridulando.
Daí a repetição de érres no haicai.
E também a repetição de aaas, pois
(não sei porque e não achei no Google)
também há cigarras que cantam assim,
como se gemessem longamente,
talvez antecipando a sina
de passar depois quase um ano sem cantar...
Na verdade, cigarra não canta, serra.
O macho, para atrair a fêmea, esfrega
a pata serrilhada na carapaça, estridulando.
Daí a repetição de érres no haicai.
E também a repetição de aaas, pois
(não sei porque e não achei no Google)
também há cigarras que cantam assim,
como se gemessem longamente,
talvez antecipando a sina
de passar depois quase um ano sem cantar...
O casal de corruíras é pontual:
chegam às oito horas, ele cantando e ela
inspecionando o gomo de bambu
que pendurei no beiral da varanda.
Ela traz fiapos para o ninho, entrando e saindo.
E ele canta, canta: de alegria? Afastando rivais?
Quem conhece a linguagem das corruíras?
O casal de corruíras é pontual:
chegam às oito horas, ele cantando e ela
inspecionando o gomo de bambu
que pendurei no beiral da varanda.
Ela traz fiapos para o ninho, entrando e saindo.
E ele canta, canta: de alegria? Afastando rivais?
Quem conhece a linguagem das corruíras?
“O casal de corruíras é pontual:
chegam às oito horas, ele cantando e ela
inspecionando o gomo de bambu
que pendurei no beiral da varanda.
Ela traz fiapos para o ninho, entrando e saindo.
E ele canta, canta: de alegria? Afastando rivais?
Quem conhece a linguagem das corruíras?”