Haicaipiras,
haicais tipo Pellegrini
e também zaicais, haicais
sobre a natureza humana

Sobre Haicais:
 Ø Artigo - Jóia Poética (link)
Ø Haicais de Pellegrini - Artigo de Luiz Cláudio Oliveira (link)
Ø Artigo - Poema ninja (link)

Livro autografado
R$ 30,00

sábado, 1 de setembro de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: internet

Gavião cruza a clareira, não mais o enorme gavião-bandeira da floresta original, gavião menor mas também com seu bico curvo e vôo sempre um tanto soberbo, predador que se sabe poderoso. Parece que apenas passa mas está vigilante, de repente muda o trajeto, acelera o vôo mas era engano ou bicho escapadiço, já longe o gavião volta ao vôo original. Que admirável é a evolução, criando nos predadores bico e garras, nas presas a camuflagem e a ligeireza. 
(A foto é da net, Dalva não estava junto para fotografar)




#Haicai
#Haicaipira
#DomingosPellegrini
#Escritor
#Poesia
#Poema
#Literatura
#Londrina
#Frases
#Inspiração
#Pensamento
#Reflexão

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: internet

A maioria dos brasileiros é mestiça, como será a raça do futuro em todo o mundo. Até a antes chamada colônia japonesa tende a se extinguir, já que entre cada quatro jovens nikkeis, três se casam com outras etnias. Pensei nisso ao conversar com um cidadão mulato, que contou ter o avô destocado terra “a muque”, e que seu pai dizia viver “de teima”. (Os PCs, politicamente correto, condenam o termo “mulato”, por vir de mula, mas chamar como? Pardo? Meio-afrodescendente? “Moreno”? E porque será depreciativa uma palavra derivada de mula, esse animal tão trabalhador quanto inteligente e que não aceita maus tratos?). A foto é do compositor e violonista Tião Carrero, um dos tantos mulatos criadores da cultura brasileira.





#Haicai
#Haicaipira
#DomingosPellegrini
#Escritor
#poesia

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: internet

Este haicai, que encerra o livro Haicaipiras, é ali apresentado com o seguinte diálogo:
- Diga tudo em três palavras.
- É impossível, mestre!
- Viu? Você conseguiu!
Além dessa pregação da sucintez graciosa, esse haicai contém uma antítese entre resumo e sumo. Resumo, coisa do mundo pensante, redução de uma história ou descrição rápida seja do que for. Sumo, coisa do mundo vital das frutas, mas também remetendo a sumidade ou excelência, coisas já espirituais. Nesse pequeno novelo de conflitos, o sumo apresenta-se também embutido em re-sumo, como “ser” também, entretanto invertido: “res”-umo. Então o que aparentemente é receita de vida, no fundo é revelação de perplexidade: ser como, ser o que, para que, porque? Pois é. E nada melhor, para expressar isso, que essa imagem de Michael Jackson, que tanto se procurou e se desencontrou, foi tão essencialmente sumo, como artista, como pessoa porém se tornando resumo de si mesmo.



#Haicai
#Haicaipira
#DomingosPellegrini
#Escritor
#poesia

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira

Lá vem eles patamente, a se misturar andando e meio dançando como se comandados por um coreógrafo confuso. De vez em quando algum grasna, outro responde, como se um dissesse olha quem chegou, e o outro perguntasse: onde? Ali, grasna um terceiro, mas passam me ignorando e vão para a água, ficam deslizando pela lagoa. Formam uma família, um grupo, uma comunidade ou tudo isso junto?



domingo, 19 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira

Sempre me fascinou, na mitologia do faroeste que tanto consumimos no cinema, a figura do rastreador, capaz de examinar uma trilha e dizer o que passou por ali, quando e como. Não chego a tanto: meu foco são as folhas retalhadas de mudas de árvores, indicando ação das formigas cortadeiras, para quem deixo então iscas inseticidas. Elas levarão as iscas para o formigueiro, onde só elas consumirão e morrerão. Admiro formigas como exemplo de trabalho e cooperação, mas sei que, se deixar, liquidarão as mudas de nosso nascente pomar.

#Haicai
#Haicaipira
#DomingosPellegrini
#Escritor
#poesia

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

A graça pode estar na captura do óbvio. Neste haicaipira, há ainda quatro “que”, prosaica partícula da Língua praticamente expulsa da linguagem poética atual, depois da raspagem promovida pelo concretismo. Mas é isso que faz esse haicai bem falável, já que obviamente é uma conversa com as nuvens. Na paisagem mete-se o poste, sem nem passarinhos nos fios.




quarta-feira, 15 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Dei com essas florezinhas numa trilha, pensei que fossem marias-sem-vergonha, Dalva disse que são beijinhos. Somos fãs de umas e outras, tão floridentes por todo canto, nascendo até em rachadura de muro e sempre a florir tanto. Aliás, o nome maria-sem-vergonha parece expressar uma certa inveja e até censura, como se florir fosse ruim e vergonhoso... Por nós, floresçam quanto quiserem, marias! Parabéns, beijinhos!

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Caminhando com Branquinha, uma coruja sempre grita agudamente trepada num poste e, depois, dá rasante a lançar mais gritos, chegou até a agarrar o lombo da cachorra – que, esperta como só, agora passa rapidinho por ali. A coruja continua a lançar seus gritos estridentes, como a dizer que ali tem quem cuida dos filhotes, ninguém se atreva a procurar seu ninho no gramado, ela avançará se for preciso, fique gritantemente bem entendido.





sábado, 11 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Mais uma foto de poente, dirá você, será que esse cara não consegue coisa melhor? Não, não consigo nada melhor que, na tardinha, olhar o sol, em paz comigo depois dos trabalhos do dia, sem nada a dever ao hoje ou ao ontem, nada a esperar do amanhã, apenas o momento, meu pedacinho da Eternidade.




quarta-feira, 1 de agosto de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Às vezes me vem o haicai, depois Dalva faz a foto, às vezes ela faz foto que traz haicai, como neste caso. Sem planejar fomos criando essa parceria. Este haicai, como geralmente são os haicaipiras, é tecido de intrincada sonoridade (árvore/pássaro, seca/sem/seiva, sem/porém, além das repetições – aliterâncias, diria o teórico – de “v” e “e”). Esse tecido sonoro deve estar porém a serviço de uma ideia que, com a foto, torna-se também visual. É a fenomenologia verbivocovisual, como diziam os concretistas? Não, é graça caipira mesmo...





CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Aproveito esta foto de Dalva para falar do horizonte que aí aparece espremido entre a terra e a grande nuvem. Horizonte sempre foi símbolo de além, de meta a alcançar – e, apesar de parecer parado, é dinâmico, pois só fica parado para quem não caminha em sua direção. Símbolo, assim, tanto de contemplação quanto de ação.



domingo, 29 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Geralmente a gente passa pelos patos olhando sem ver, pois parecem patamente iguais e sempre para lá e para cá na sua vida de patos. Mas, indo muito à lagoa, notei que a mesma pata, que nadava na frente deles quando pequenininhos, agora deixa que nadem na frente dela já crescidinhos. Sem super-proteção, parece dizer orgulhosa e em paz com seu dever de mãe: cuidou zelosa, protegeu aguerrida, agora cada um cuide da própria vida...









quinta-feira, 26 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte


O nascente parece durar menos que o poente, pela simples razão de que o ator principal tem pressa de entrar em cena, enquanto no poente ele demora para sair como quem espera aplausos. Assim, no poente sempre pego a peça desde o começo, e no nascente quase sempre depois de começada. Mas, como o teatro é bom, volto sempre.





quarta-feira, 25 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Acho que contagiei Dalva com minha paixão por poentes, ela tem ficado de olho com celular na mão. Contei a ela a historinha do samurai que só olhava nascentes porque os poentes seriam apenas festa melancólica do dia que morreu, e seu mestre então perguntou: - Mas os nascentes não nascem para também morrer? Assim, olho mais poentes apenas porque geralmente ainda estou dormindo nos nascentes, e uns e outros olho como quem sabe que todos trabalham para o mesmo teatro com apenas duas peças por dia, mas sempre diferentes a cada dia.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira

Capinzal circunda parte da lagoa, nutrido pelo brejo onde nasce a mina que sustenta a lagoa e o brejo. Nunca dei atenção ao brejo, até ver o capinzal brilhando ao sol. E vi caçando ali garças que depois vão pousar nas árvores da mata logo adiante. Aí percebi realmente o que teoricamente já sabia, que na natureza tudo é interdependente.






quarta-feira, 18 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira

Tem dia ideal pra tudo, pois tempestade não é ótima para vendedores de guarda-chuva? Dias de outono e inverno, com seu céu azul o tempo todo, são ótimos para colheitas e plantios, mas muita gente sofre com a secura do ar. E quem gosta de poentes bonitos tem apenas sol sem nuvens no horizonte, belos dias com poentes michos. Cada vez mais concordo com Einstein, tudo é relativo.





segunda-feira, 16 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira
Foto: Dalva Vidotte

Tenho encontrado na lagoa muitos momentos bons, vendo como cada dia passa e, se a gente não olha o céu, apenas passa como mais um dia. Se a gente olha, é um dia sempre diferente...

sábado, 14 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira

Nossa goiabeira é novinha mas já tem história. Não existia quando compramos o terreno para a nova casa aqui na Estância Santa Paula. Demoramos alguns meses para começar a construção, e eis que ela brotou, decerto plantada por passarinhos (plantio que já vem com adubo orgânico...). Resistiu à terraplenagem, graças a estacas protetoras, e pelo jeito ainda receberá nossos netos em seus galhos.





#poeta
#poesia

quinta-feira, 12 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI

Pois o astronauta, flutuando no Espaço e ligado à nave-mãe por um cordão, não lembra o feto e seu cordão umbilical?


sábado, 7 de julho de 2018

CASA DO HAICAI

CASA DO HAICAI
Haicaipira

Antes dos sessenta
eu comia frutas
agora degusto
cada uma
Antes eu olhava
procurando enxergar
(o futuro, o profundo)
agora apenas vejo
como é o mundo
Cada cheiro é novo
mesmo repetido
e lavo louça rindo
(só o instante
pode ser lindo)




#poeta
#poesia